Eu gostaria que o título fosse "2017 - O ano da virada", ou algo parecido, mas a cada dia me convenço que não da pra separar a ansiedade e a Aline. Tenho que aprender a conviver com ela, uma condição imposta pela vida que levo e que levei, da qual não vejo meios de desvencilhar-me.
Minha história com a ansiedade é longa, demorei pra perceber, talvez tenha nascido com ela, mas já passei da fase dos porquês, já passei da fase do "por quanto tempo mais" e agora estou no momento "minha vida é assim" ou "vou ser feliz mesmo assim", que é mais motivador.
Decidi escrever algo que motivasse as pessoas ansiosas a buscar conhecimento de si e da patologia (prefiro usar este termo), como forma de buscar a superação. A ansiedade é tida como mal do século, mas só quem realmente tem, sabe como é difícil conviver com este mal invisível, que não se evidencia fisicamente, que causa estranheza nos outros e que prejudica tanto a qualidade de vida de quem sofre com ele.
Aliás, comprovar que se está doente é realmente uma prova de fogo, quer seja para o cônjuge, para os familiares, amigos, perito do INSS, chefe, etc. Um amontoado de explicações que ninguém parece compreender e menos ainda enxergar o que está acontecendo. Isso não é uma reclamação, porque se alguém me diz que está com depressão, por exemplo, eu não vou enxergar, a menos que eu conviva 24 horas com esta pessoa e conheça seus hábitos profundamente.
Hábitos, palavra-chave para um ansioso. Nunca imaginei que fosse parar para observá-los, monitorá-los e até mesmo enumerá-los, com uma importante finalidade: modificá-los! Quem diria que o núcleo da minha ansiedade estaria em cada ato que pratico minuto após minuto!
Na verdade o núcleo da minha ansiedade é mais profundo, ele está na maneira como reajo a cada ato que pratico, ou melhor, como julgo cada passo que dou, cada observação que faço, é cansativo isso...
Mas acho está funcionando, conhece-te a ti mesmo é muito válido, é essencial na busca por uma vida melhor, quem sabe livre da ansiedade...
Taubaté, 08 de maio de 2017
Foto: O Grito, Edward Munch (1893)
Taubaté, 08 de maio de 2017
Foto: O Grito, Edward Munch (1893)

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