domingo, 30 de julho de 2017

No meio do caminho tinha uma fobia






No meio do caminho tinha uma pedra, verso de um famoso poema de Carlos Drummond de Andrade, me fez lembrar de quantas pedras-fobias o ansioso, o deprimido, o bipolar, o fóbico social encontram em seu caminho. 
Todos temos sonhos e sonhos palpáveis são transformados em objetivos e objetivos cumpridos chamamos de realizações. 
Você se sente realizado? Quantas vezes em sua vida uma pedra-fobia atravessou seu caminho e te impediu te prosseguir?
Aprendi a refletir a duras penas, antes era movida por uma ansiedade ensandecida que me ocupava o tempo todo com tarefas, que eram apenas isso em minha vida: tarefas. Onde estavam meus objetivos? A palavra sonhos nem constava em meu dicionário.
Nessas reflexões aprendi a sonhar e agora passo por um processo de busca por realizações, através de objetivos carinhosamente definidos, afinal é a minha vida que está ali no caderninho de metas, na agenda diária ou no alarme do celular. 
Tudo precisa ter sentido, até mesmo o ócio, quando passei a valorizar o ócio ( produtivo ou não ), comecei a dar valor ao tempo da minha vida, porque ficar parado também é viver, só não vale ficar parado o tempo todo!
Mas voltando ao poema, eu me observei pensando em quantas fobias-pedra existiram e existem no meio do meu caminho, tantas vezes deixei de fazer coisas que nem percebi o quanto eram importantes para alcançar meus sonhos...ainda deixo. 
Demorei a aprender a me livrar da culpa por não conseguir fazer alguma coisa da qual tinha medo e essa culpa nunca foi motivadora.
O medo é útil até se tornar incapacitante, depois disso vira pedra e quanto mais demoramos para removê-la, maior e mais pesada ela fica. 
No meio do caminho tinha uma fobia, por isso muitas vezes tive que retornar, dar um passo atrás na vida e reaprender a fazer muitas coisas, e não, isso não foi perda de tempo pra mim. Eu fui lá no passado buscar onde errei para saber o que consertar e para ter certeza de que ia mudar o caminho e dessa vez iria pelo rumo certo.
No meio do caminho tinha uma fobia, nunca me esquecerei que no meio do caminho tinha uma fobia...que eu superei.



Fica a dica para leitura:

https://www.google.com.br/amp/m.cultura.estadao.com.br/noticias/geral,a-biografia-da-pedra-no-meio-do-caminho-imp-,644329.amp

segunda-feira, 15 de maio de 2017

2017




Eu gostaria que o título fosse "2017 - O ano da virada", ou algo parecido, mas a cada dia me convenço que não da pra separar a ansiedade e a Aline. Tenho que aprender a conviver com ela, uma condição imposta pela vida que levo e que levei, da qual não vejo meios de desvencilhar-me.
Minha história com a ansiedade é longa, demorei pra perceber, talvez tenha nascido com ela, mas já passei da fase dos porquês, já passei da fase do "por quanto tempo mais" e agora estou no momento "minha vida é assim" ou "vou ser feliz mesmo assim", que é mais motivador.
Decidi escrever algo que motivasse as pessoas ansiosas a buscar conhecimento de si e da patologia (prefiro usar este termo), como forma de buscar a superação. A ansiedade é tida como mal do século, mas só quem realmente tem, sabe como é difícil conviver com este mal invisível, que não se evidencia fisicamente, que causa estranheza nos outros e que prejudica tanto a qualidade de vida de quem sofre com ele.
Aliás, comprovar que se está doente é realmente uma prova de fogo, quer seja para o cônjuge, para os familiares, amigos, perito do INSS, chefe, etc. Um amontoado de explicações que ninguém parece compreender e menos ainda enxergar o que está acontecendo. Isso não é uma reclamação, porque se alguém me diz que está com depressão, por exemplo, eu não vou enxergar, a menos que eu conviva 24 horas com esta pessoa e conheça seus hábitos profundamente.
Hábitos, palavra-chave para um ansioso. Nunca imaginei que fosse parar para observá-los, monitorá-los e até mesmo enumerá-los, com uma importante finalidade: modificá-los! Quem diria que o núcleo da minha ansiedade estaria em cada ato que pratico minuto após minuto!
Na verdade o núcleo da minha ansiedade é mais profundo, ele está na maneira como reajo a cada ato que pratico, ou melhor, como julgo cada passo que dou, cada observação que faço, é cansativo isso...
Mas acho está funcionando, conhece-te a ti mesmo é muito válido, é essencial na busca por uma vida melhor, quem sabe livre da ansiedade...


Taubaté, 08 de maio de 2017

Foto: O Grito, Edward Munch (1893)

sexta-feira, 12 de maio de 2017

É preciso cuidar do jardim

                            Créditos foto:http://blog.branco.com.br/como-cuidar-do-seu-jardim-no-outono/



Todo ansioso precisa ter um hobbie, não um hobbie qualquer mas aquele que te faz esquecer da vida, faz o tempo parar. Encontrei essa habilidade fazendo jardinagem, semeando flores e hortaliças que não brotavam, brotavam e morriam sem desenvolver ou que simplesmente nunca deram flores ou frutos. Jardinagem é assim, muita frustração reunida, quanto mais você semeia, mais planta morre (que deprimente isso!). Com todo esse morre-morre de plantinhas, desenvolvi uma habilidade muito muito útil pra ansiosos e pra todo mundo: persistência. Se a planta morreu, planto de novo, se a planta está murcha, estou regando pouco e fui aprendendo a amar seres verdinhos e sensíveis que sofrem em silêncio com a falta de cuidado dos humanos.
Com isso comecei a fazer uma analogia com a minha situação: sei que é preciso semear algo, preciso ter objetivos concretos; sei que é preciso cuidar do desenvolvimento; sei que é preciso observar as condições (sinais do corpo) e não ignorá-las; sei que é preciso ter profundo conhecimento do assunto, quanto maior o seu conhecimento mais belo é o seu jardim interior, porque você passa a conhecer quais suas necessidades para se manter bem.
Você vai precisar recolher muitas folhas secas, retirar muitas ervas daninhas, aparar a grama, adubar, podar, para finalmente colher lindas flores e deliciosos frutos em seu jardim.
Quando se sentir sem utilidade e desmotivado, plante uma semente e cuide de uma plantinha, assim aprendemos através da observação de outra vida como devemos observar a nossa vida.
Olhe para seu jardim interior e avalie como ele está, levante-se e adquira um pouco de terra, umas minhocas (faz parte) e umas sementes, o vaso você já tem, só precisa observar a utilidade dele e a importância que ele tem. 
Cultive seu jardim, o tempo passará de forma doce e tranquila...


Taubaté, 12 de maio de 2017