segunda-feira, 15 de maio de 2017

2017




Eu gostaria que o título fosse "2017 - O ano da virada", ou algo parecido, mas a cada dia me convenço que não da pra separar a ansiedade e a Aline. Tenho que aprender a conviver com ela, uma condição imposta pela vida que levo e que levei, da qual não vejo meios de desvencilhar-me.
Minha história com a ansiedade é longa, demorei pra perceber, talvez tenha nascido com ela, mas já passei da fase dos porquês, já passei da fase do "por quanto tempo mais" e agora estou no momento "minha vida é assim" ou "vou ser feliz mesmo assim", que é mais motivador.
Decidi escrever algo que motivasse as pessoas ansiosas a buscar conhecimento de si e da patologia (prefiro usar este termo), como forma de buscar a superação. A ansiedade é tida como mal do século, mas só quem realmente tem, sabe como é difícil conviver com este mal invisível, que não se evidencia fisicamente, que causa estranheza nos outros e que prejudica tanto a qualidade de vida de quem sofre com ele.
Aliás, comprovar que se está doente é realmente uma prova de fogo, quer seja para o cônjuge, para os familiares, amigos, perito do INSS, chefe, etc. Um amontoado de explicações que ninguém parece compreender e menos ainda enxergar o que está acontecendo. Isso não é uma reclamação, porque se alguém me diz que está com depressão, por exemplo, eu não vou enxergar, a menos que eu conviva 24 horas com esta pessoa e conheça seus hábitos profundamente.
Hábitos, palavra-chave para um ansioso. Nunca imaginei que fosse parar para observá-los, monitorá-los e até mesmo enumerá-los, com uma importante finalidade: modificá-los! Quem diria que o núcleo da minha ansiedade estaria em cada ato que pratico minuto após minuto!
Na verdade o núcleo da minha ansiedade é mais profundo, ele está na maneira como reajo a cada ato que pratico, ou melhor, como julgo cada passo que dou, cada observação que faço, é cansativo isso...
Mas acho está funcionando, conhece-te a ti mesmo é muito válido, é essencial na busca por uma vida melhor, quem sabe livre da ansiedade...


Taubaté, 08 de maio de 2017

Foto: O Grito, Edward Munch (1893)

sexta-feira, 12 de maio de 2017

É preciso cuidar do jardim

                            Créditos foto:http://blog.branco.com.br/como-cuidar-do-seu-jardim-no-outono/



Todo ansioso precisa ter um hobbie, não um hobbie qualquer mas aquele que te faz esquecer da vida, faz o tempo parar. Encontrei essa habilidade fazendo jardinagem, semeando flores e hortaliças que não brotavam, brotavam e morriam sem desenvolver ou que simplesmente nunca deram flores ou frutos. Jardinagem é assim, muita frustração reunida, quanto mais você semeia, mais planta morre (que deprimente isso!). Com todo esse morre-morre de plantinhas, desenvolvi uma habilidade muito muito útil pra ansiosos e pra todo mundo: persistência. Se a planta morreu, planto de novo, se a planta está murcha, estou regando pouco e fui aprendendo a amar seres verdinhos e sensíveis que sofrem em silêncio com a falta de cuidado dos humanos.
Com isso comecei a fazer uma analogia com a minha situação: sei que é preciso semear algo, preciso ter objetivos concretos; sei que é preciso cuidar do desenvolvimento; sei que é preciso observar as condições (sinais do corpo) e não ignorá-las; sei que é preciso ter profundo conhecimento do assunto, quanto maior o seu conhecimento mais belo é o seu jardim interior, porque você passa a conhecer quais suas necessidades para se manter bem.
Você vai precisar recolher muitas folhas secas, retirar muitas ervas daninhas, aparar a grama, adubar, podar, para finalmente colher lindas flores e deliciosos frutos em seu jardim.
Quando se sentir sem utilidade e desmotivado, plante uma semente e cuide de uma plantinha, assim aprendemos através da observação de outra vida como devemos observar a nossa vida.
Olhe para seu jardim interior e avalie como ele está, levante-se e adquira um pouco de terra, umas minhocas (faz parte) e umas sementes, o vaso você já tem, só precisa observar a utilidade dele e a importância que ele tem. 
Cultive seu jardim, o tempo passará de forma doce e tranquila...


Taubaté, 12 de maio de 2017